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No
antigo Tibete, antes da invasão chinesa em 1949, os cultos
funerários eram bem diferentes: apenas o corpo dos grande
mestres eram cremados, e consagrados em pequenos templos,
chamados "chörten" (ou stupa, em sânscrito).
Quando as pessoas comuns faleciam, o corpo geralmente era
oferecido aos abutres, não como uma falta de respeito, mas
como um último gesto de generosidade da pessoa que faleceu.
Os tibetanos costumam ser muito desapegados das coisas
materiais, e não viam muita utilidade em guardar um cadáver.
Após a morte, os tibetanos geralmente recitam um texto de
preces, chamado Bardo Thödröl, "Liberação no Estado
Intermediário" (entre a vida e a morte). Este livro foi
publicado no ocidente como "O Livro Tibetano do
Mortos", fazendo uma alusão marketeira ao "Livro
dos Mortos" do antigo Egito, mas não há qualquer relação
entre eles.
Falecimento:
Verificado o óbito, as velas do oratório doméstico serão
acesas e o corpo colocado nas proximidades do mesmo. O rosto
do(a) falecido(a) será coberto com um pano branco.
Queimar-se-á incenso continuamente, junto à cabeceira do(a)
falecido(a). Um bonzo será chamado para a leitura dos sutras
(textos sagrados). Caso o(a) falecido(a) não tenha sido
iniciado(a) no Budismo em vida, o bonzo procederá a uma
iniciação póstuma, conferindo ao(a) falecido(a) um novo
nome (Hômyô ou "nome sagrado"). O(a)
falecido(a) será em seguida colocado(a) no caixão, com um
rosário budista (nenju) nas mãos. Durante o velório,
os presentes poderão recitar os textos sagrados em coro.
Algumas escolas adotam a prática de depor oferendas de
alimento e água junto ao corpo, mas a Verdadeira Escola da
Terra Pura não adota esse procedimento.
Um ou vários bonzos serão chamados para celebrar o rito das
despedidas finais antes de ser retirado o corpo do local do
velório. Outro ritual será celebrado na capela do crematório
ou junto ao túmulo, no caso de inumação, no momento do
sepultamento. Poderão então ser apresentadas oferendas:
alimentos vegetais, velas e incenso.
Findo o funeral, o bonzo entregará à família o ihai
(tabuleta votiva) contendo os nomes (civil e profano) do(a)
falecido(a) e a data do óbito. O mesmo será entronizado no
oratório doméstico.
O
Caixão:
Os Budistas costumam cremar os corpos, mas caso seja enterrado
o caixão poderá ser simples ou luxuoso, conforme a família
achar melhor.
Velório:
Normalmente se faz com caixão aberto, mas não há nenhuma
regra.
Pode-se enviar coroas de flores, tal como se faz comumente no
Brasil. Oferendas como alimentos, etc. devem ser colocadas no
altar ( doméstico ou do templo, conforme o caso), e não
junto ao corpo, junto ao qual deverá ficar somente uma ou várias
velas e um ou vários recipientes apropriados, cheios de
cinza, para os presentes fazerem ofertas de incenso. Textos
sagrados poderão ser cantados em coro, caso a família os
conheça.
Condolências:
Devem ser apresentadas, em
primeiro lugar, ao chefe da família ou ao familiar designado
para atuar como tal. Segundo os costumes japoneses, devem ser
acompanhadas por um envelope fechado contendo dinheiro, o qual
se destina a ajudar a família com as despesas do funeral.
Vestimentas:
No Extremo-Oriente tradicional a
cor do luto era a branca. Hoje, por influência ocidental, no
Japão e no Brasil adota-se a preta. Quem participa de velórios
e ritos fúnebres deve, na medida do possível, portar um rosário
budista, comumente vendido nos templos.
Os
Enlutados:
Quem
se sentir nessa condição.
Quem
Pode ir ao Cemitério:
Qualquer pessoa pode assistir aos funerais, é aconselhável
trazer as crianças, para que se acostumem com o fenômeno da
morte. Trata-se de uma "pedagogia da morte".
O
LUTO
Para
a tradição Budista, o importante é cultivar os sentimentos
de gratidão em relação a tudo que devemos a nossos
familiares que se foram, e também, aprender com o morto o que
sua condição nos ensina sobre a impermanência de todas as
coisas e sobre a inevitabilidade da morte - nosso destino
comum. Os rituais só são válidos na medida em que eles nos
ajudam a tomar consciência dessas coisas.
Ritos
do "Estágio Intermediário":
Segundo a tradição budista, no dia do falecimento começa um
período de 49 dias denominado "estágio intermediário"
(chûin em japonês, bardo em tibetano)
intervalo entre a morte e um novo nascimento no ciclo das
existências.
Durante esse período, a família e os amigos se reunirão, no
lar ou no templo, e um bonzo celebrará os seguintes ritos:
Rito
do 7º dia;
Rito do Primeiro Mês;
Rito do 35º dia;
Rito do 49º dia.
Os
ritos serão seguidos por pregações do Dharma
(doutrina budista) feitas pelo bonzo.
No caso de cremação, a cinzas do falecido poderão ser
depositadas no Templo ou no altar doméstico. Atualmente se
difunde a prática de espalha-las na terra ou lança-las à água,
devolvendo-as assim à Natureza.
RITOS
COMEMORATIVOS
Generalidades:
Por comemoração entende-se a prática de rememorarmos juntos
nossos mortos queridos. Os ritos de comemoração podem ser
gerais (realizados pelos devotos reunidos em comunidade) ou
particulares (restritos aos familiares e amigos).
Ritos
Gerais:
O principal rito geral é o Obon, celebração comunitária
realizada nos templos, no dia 15 de julho ou agosto ou em uma
data próxima conveniente. As famílias colaboram ornamentando
o templo com lanternas votivas coloridas dedicadas a seus
ancestrais. Na noite de Obon são realizadas pela
comunidade danças folclóricas japonesas (bon-odori),
com o objetivo de promover uma confraternização simbólica
entre vivos e mortos.
Ritos
Particulares:
A família se reunirá no templo ou no lar, convidando um
bonzo, para celebrar a memória do(a) falecido(a), obedecendo
ao seguinte calendário litúrgico:
Rito
do 100º dia;
Ritos de Aniversário de falecimento: 2º, 6º, 12º, 16º,
24º, 32º, 49º e 99º aniversário.
A
partir de então, os ritos comemorativos serão realizados a
cada 50 anos.
Além
disso, temos comemorações mensais (shôtsuki meinichi)
no dia do mês em que se deu o falecimento. Esse dia costuma
ser marcado por alguma comemoração em família. Algumas famílias
costumam adotar um cardápio estritamente vegetariano nesse
dia, em homenagem ao(a) falecido(a).
Apresentamos, para terminar, um dos textos sagrados da
Verdadeira Escola da Terra Pura mais lidos nos ritos fúnebres,
a "Carta da Ossada Branca " (Hakkotsu no Ofumi)
do Mestre Rennyo (1415 - 1499):
Considerando-se
com atenção a aparência da frágil vida dos homens, vemos
quão fugaz é esse período, em que todas as coisas mundanas
são semelhantes a miragens. Nunca se ouviu falar de alguém
que tenha vivido dez mil anos. A vida flui tão rápida! Quem
consegue se manter até a idade de cem anos? Nem eu, nem ninguém
pode garantir o dia de hoje ou o dia de amanhã. Dizem que os
que hão de morrer e os que já morreram são mais numerosos
do que os pingos de chuva que já caíram e do que as gotas de
orvalho que ainda cairão. Nosso corpo, que pela manhã
ostenta faces rosadas, ao entardecer pode estar transformado
em uma ossada branca. Quando sopra o vento da impermanência,
os dois olhos se fecham imediatamente a respiração cessa
definitivamente. Então as faces rosadas irremediavelmente se
transformam e o semblante perde sua beleza comparável à de
um pêssego. Os parentes se reúnem para chorar e lamentar,
mas nada disso adianta mais nada. Urge tomar as providências
necessárias, e o corpo, conduzido ao crematório, desfaz-se
em fumaça no meio da noite, restando apenas a ossada branca.
Podemos dizer que é penoso, mas as palavras nem dão conta de
tanta dor. A fragilidade do ser humano nem sequer estabelece
distinção entre velhos e jovens. Assim, todos devem ter em
mente a questão extremamente grave que é a Metavida,
confinado profundamente no Buda Amitabha e recitando o nembutsu
(nome do Buda Amitabha). Salve! Salve!
Oxalá
as virtudes decorrentes desta reflexão sobre as doutrinas e
ritos fúnebres possam despertar em todos o anseio de alcançar
o Despertar, para que todos alcancem o ir-nascer na Terra da
Paz e da Felicidade!
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